segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O RIO E A ÁRVORE




O Rio e a ÁrvoreUm estreito córrego, límpido e cristalino, desce de uma montanha, entre margens floridas, sobre leitos de pedrinhas brancas.
Pouco a pouco encontra outros riachos e curioso, indaga:
-Onde vão?
Os outros igualmente novos e inexperientes, respondem:
-Não sabemos.
-Vamos juntos então?
-Vamos! Mas onde nos quer levar?
-Também não sei. Iremos seguindo para ver onde acabará essa nossa carreira pela montanha abaixo.
Reunindo-se, lá se vão cantando satisfeitos, refletindo em suas águas o céu azul, os passarinhos que voam e as flores singelas que se debruçam em suas margens.
Depois, já no fundo da montanha, continuam seguindo por vastos campos cultivados.
Já mais práticos da vida, quando encontram alguma nova correntezinha, convidam a segui-los. Contam os benefícios feitos ao longo do caminho: um moinho posto em movimento, pequenas canoas transportadas de um lugar para outro, terras fertilizadas… E o novo companheiro reúne-se a eles, e a corrente canta mais alegre e corre mais rápida, animada pelo bem já feito, mas ignorando ainda qual será o seu destino.
Entra então numa grande florestas. Já é um caudaloso rio. Em suas margens, o sopro da brisa, grandes árvores agitam seus longos ramos e conversam baixinho.
Entre elas, o rio percebe a presença de uma árvore mais grossa, grande, copada que parece ser a avó da floresta.
Volta-se para ela e pergunta-lhe:
-Boa árvore, quererá informar-me até onde continuarei essa minha carreira? Ela não me desagrada, mas afinal, estou ansioso por saber como isto acabará. A senhora que já viveu mais do que eu, talvez me possa dar uma resposta satisfatória.
-Tem razão. Tenho vivido muito e posso lhe responder com toda a certeza:
-Todos os rios vão ter no mar.
-Assim, ainda mesmo que eu não me tivesse unido a outros riachos, haveríamos de nos encontrar no mar?
-Certamente.
-É pena então termos vindo juntos. Se corrêssemos separados, cada qual poderia contar coisas diferentes, vistas pelo caminho. Assim passaríamos o tempo mais divertido!
-Não. Fazem muito bem! Se não estivessem reunidos não teriam feito andar as rodas dos moinhos, não teriam transportado tantas e tão grandes embarcações. Fazem bem! Ninguém deve viver isolado. O bem, feito em comum tem mais resultado.
-Mas – volta-se o rio admirado – onde aprendeu todas essas coisas?
-É a brisa, que vem de todas as partes que me conta tudo o que vê.
-Não se aborrece de estar sempre no mesmo lugar?
-Oh, não! A maior felicidade é poder fazer bem aos outros. Desde pequena abrigo em meus galhos muitos ninhos; famílias e famílias de passarinhos viveram em meus ramos; muitos caminhantes descansaram à minha sombra, meus rebentos secos alimentam o lume nas cabanas dos pobres lenhadores; minhas flores perfumam a floresta. Que mais pode desejar uma árvore para ser feliz? Muitas de minhas companheiras foram transformadas em mastros de navios. Talvez as encontre pelo mar…
-Obrigado! Boa árvore, por tudo o que me disse. Vou continuar meu caminho, pois tenho de chegar ao mar.
Quando encontrar os grandes navios, lembrar-me-ei das árvores empregadas na sua construção. Pedirei às ondas que embalem suavemente os barcos dos pescadores para que não se quebrem nos rochedos.
O rio caudaloso continua o seu curso. A velha árvore ainda continua pensando que a maior felicidade consiste em viver fazendo o bem aos outros.

(Texto: Lúcia Paixão Passos, Walda Paixão Lopes da Costa e Walesca Paixão)

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